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de
Alma Beat
L&PM ed. 1984
Allen
Ginsberg nasceu a 03 de junho de 1926, em Paterson, Nova
Jersey. Sua autobiografia:
"Escola
em Paterson até os 17 anos, depois Universiade de Columbia,
donde foi expulso, marinha mercante,Texas e Denver, datilógrafo,
Times Square, amigos na prisão, lavador de pratos, revisor,
cidade do México, pesquisa de mercado, Satori no Harlem,
Yucatan e Chiapas 1954, tr6es anos na costa Oeste. Viagem
ao Ártico, Tanger, Veneza, Amsterdan, Paris, leituras em
Oxford, Harvard, Columbia, Chicago - corta - Kaddish 1959,
mergulhos eventuais no Oriente, etc, etc..."
Nos
anos 60, Ginsberg participou ativamente do movimento contracultural
e das passeatas em protesto contra a guerra do Vietnã -
em 1967 esteve à frenta da grande marcha sobre o Pentágono
e no ano seguinte envolveu-se no confronto com a polícia
em Chicago. No início dos anos 70, Ginsberg se transformou
num os líderes do movimento anti-nuclear. Em 1982 esteve
em Manágua, Nicarágua, assinando uma declaração contra a
intervenção americana na América Central. No mesmo ano,
participou de concertos e do LP Combat Rock, do grupo
The Clash. Allen Ginsberg morreu em abril de 1997, em Nova
York.
Drogas
"Podemos
ter liberação gay dos opressores machistas. então podemos
ter libertação junkie dos opressores machistas da Máfia,
CIA. AMA (American Medical Association) .opressão que pune
ao invés de tratar os viciados. Deveria haver uma Frente
de Libertação Junkie. Os viciados em droga são o grupo mais
oprimido do país. no sentido de serem caçados como cães
por gente armada. Vivem sob a permanente ameaça da cadeia.
São doentes. Têm uma doença legítima. e não recebem o tratamento
médico legítimo. Ao contrário. ficam nas mãos dos mais corruptos
policiais dos Estados Unidos -os narcs. que têm profundas
relações com a Máfia e com os traficantes -como foi provado
por várias pesquisas oficiais documentadas. Nenhum outro
grupo na América sofreu distorção igual de sua imagem. Jamais
houve categoria mais baixa que a dos viciados em heroína.
São fichados como maníacos. Ora. ninguém chama os alcoólatras
de maníacos. Além disso. são caluniados. Acusam-Ihes de
constituir uma classe criminosa. de serem assassinos em
potencial. violentos latentes. etc. Os alcoólatras é que
perdern o controle. não os junkies."(Allen Ginsberg
em entrevista a Allan Young do jornal Gay Sunshine)
Dinheiro
"Tente
romper os hábitos dos executivos viciados na santíssima
trindade dinheiro-propriedade-poder e eles passarão a agir
como junkies - mentirão, roubarão,gritarão,ao invés de derrubar
florestas,arrasar colinas, vender o chão abaixo de pés que
ainda não nasceram."(em entrevista à Playboy,
em 1967)
Sexo
"Me
assumi Como homosexual em Colúmbia em 1946. A primeira pessoa
com quem me abri foi Kerouac, porque estava apaixonado por
ele.Jack era meu hóspede, dormia no meu quarto. Ocupava
a cama, e eu dormia no chão no catre.Eu disse: Você sabe,Jack,
eu o amo e gostaria de dormir com você; é que eu gosto mesmo
de homens. E ele disse:Oooooh, não...
Áquele tempo,Kerouac era muito atraente,e belo,e doce -
doce no sentido de infinitamente tolerante, como Shakespeare,ou
Tólstoi,ou Dostoiévski, infinitamente compreensivo. Então,sentí
que poderia falar com ele. Ele não me atacaria. Ele não
me rejeitaria, ele aceitaria minha alma com todo o seu latejar,
sua doçura e seus pesares, com as angústias profundas e
tristezas e sofrimentos, as alegrias e os júbilos, e a aceitação
insana de mortalidade. O fato é que meses depois acabamos
dormindo juntos, umas duas vezes. Foi uma coisa calma, tranquila."(Allen
Ginsberg, em entrevista a Allan Young, do jornal Gay
Sunshine)
Revolução
"Eu
estava sossegado no meu quarto de hotel, uma bela manhã,
já no fim de minha visita a Cuba, quando três soldados,
uniforme verde-oliva e mudos como postes, entraram no quarto
com um oficial. Ele se apresentou como chefe da Imigração.
Disse que eu tinha que fazer as malas e que seria deportado,
pelo primeiro avião, para Praga. Perguntei-lhe se comunicara
isso à Casa de las Américas. Disse que não, que haveria
tempo para iss, mais tarde. Não me deixaram telefonar para
a Casa, que me convidara, e levaram-me escada abaixo. Conduziram-me
diretamente ao aeroporto. Em caminho, perguntei por que
me deportavam. O oficial disse:" Por infração às leis
cubanas.".E eu disse: "'Que leis?".E ele
respondeu: "Faça tal pergunta a si mesmo.".E essa
resposta, pensei, era como a resposta que me dera o decano
da Universidade de Colúmbia quando me expulsou por ter dormido
com Jack Kerouac no meu quarto uma noite. E não tínhamos
feito amor nenhum. Simplesmente Kerouac não tinha onde passar
a noite .
Não fui correndo queixar-me ao Time magazine que fora injustamente
chutado de Cuba. Deixei-os na dúvida. a pensar, talvez,
que eu era um simples peão. Vítima da luta entre os grupos
liberais e os burocrático-militares. Entendi também que
quanto mais pressões os Estados Unidos fizerem sobre Cuba,
mais aumentará o poder da linha dura, da burocracia policial
e dos homens do partido. A solução é aliviar a pressão e
sustar o bloqueio ao invés de responsabilizar sempre a revolução
cubana, Castro ou o marxismo - embora eu continue pensando
que Castro está sendo muito inábil na questão do homossexualismo
e que sua política com relação à maconha é atrasada
e pouco científica. Ele tem demonstrado macheza excessiva
e falta de sensibilidade. (Allen Ginsberg, em entrevista
a Allan Young do jornal Gay Sunshine)
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