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de
The New York Times, 20 de Janeiro de 2001
Tradução
de Beto
Gregory
Nunzio Corso nasceu em 26 de março de 1930, no Greenwich
Village, em Nova York, filho de um casal de adolescentes
que o abandonou quando tinha um ano de idade. Desde então,
deambulou entre casas de adopção e prisões
e nunca em colégios.
Sua
primeira prisão aconteceu quando contava 12 anos
e foi apanhado roubando mercadorias e passou alguns meses
na cadeia esperando o julgamento. Depois de absolvido, Corso
passou três meses sob observação no
hospital Belleuve em Nova York.
Quando
tinha 16 anos, Corso voltou para a cadeia onde cumpriu 3
anos por roubo. Foi lá que ele leu os clássicos
- Dostoevsky, Stendhal, Shelley e Christopher Marlowe entre
outors - e tornou-se, segundo expressou, "escolado
no melhor e no pior da natureza humana."
Corso
foi solto em 1950. Logo depois encontrou Ginsberg em um
bar do Greenwich village. Ele então escrevia versos
limpos e convecionais, e foi Ginsberg que o introduziu a
longas linhas aparentemente desconexas e a combinações
surreais de palavras.
Nessa
época, Corso andava a viajar pelo país, trabalhando
em bicos, como repórter do Los Angeles Examiner e
como marinheiro eventual.
Em 1954
ele fixou-se brevemente em Cambridge, Massachussets, onde
morou virtualmente na biblioteca da Universidade de Harvard,
mergulhando nas papas da poesia. Seus primeiros poemas publicados
apareceram no Harvard Advocate e sua peça, "In
this hung-up age", um drama macabro sobre como um grupo
de turistas é pisoteado até a morte por uma
manda de búfalos, foi representada no ano seguinte
pelos estudantes de Harvard.
Corso
foi para São Francisco em 1956, tarde demais para
presenciar a lendária leitura de Uívo de Ginsberg,
mas a tempo de ser rreconhecido como um dos maiores poetas
beat.
Mesmo
não sendo engajado politicamente como outros beat,
em 1956, Corso foi demitido do posto de professor da Universidade
do Estado de Nova York em Buffalo por ter se recusado a
assinar um documento para certificar de que não era
membro do Partido Comunista.
Gregory
Corso morreu de câncer da próstata no dia 17
de janeiro de 2001, na cidade de Robbinsdale, MInnesotan,
onde morava com sua filha Sheri Langerman. Nos últimos
anos, Corso continuava escrevendo, ensinando e participando
de leituras. Durante sua carreira, publicou 13 livros de
poesia, 2 peças de teatro e algumas colaborações.
2
poemas de Gregory Corso
Extraídos
de Gasoline
L&PM Editores
Acontecimentos
Sobrenaturais no Harlem
1
Quatro
moinhos de vento, bastante conhecidos, foram vistos certa
manhã, comendo tulipas
Meio-dia e toda a cidade se agita gritando: Apocalipse!
Apocalipse!
2
Oh povo! meu povo!
algo arquitetonicamente sobrenatural como um ruidoso canibal
esteve no Harlern a noite passada
e devorou um canal!
Casa
Natal Revisitada
Parado
na luz sombria da rua deserta
olho pra cima pra minha janela, ali nasci
As luzes estão acesas; outras pessoas andam por lá
Estou de gabardine; cigarro na boca,
cabelo nos olhos, mão na garganta
Atravesso a rua e entro no prédio
As latas de lixo continuam cheirando mal
Subo ao primeiro andar; Dirty Ears me aponta uma faca
eu o apalpo cheio de relógios perdidos
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