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de
Viajante solitário
Editora Brasiliense, 1985
Nome:
Jack Kerouac
Nacionalidade: Franco-americano
Local de nascimento: Lowell, Massachusetts
Data de nascimento: 12 de março de 1922
Resumo
das principais ocupações e/ou empregos:
Tudo. Especificando: ajudante de cozinha e lavador
de pratos em navios, empregado de posto de gasolina, limpador
de convés, jornalista esportivo (Lovell Sw), guarda-freio
nas linhas férreas, condensador de scripts da 20th
Century-Fox em Nova lorque, balconista de lancheria, funcionário
nos pátios de manobras das estradas de ferro, bagageiro
na estação ferroviária, apanhador de algodão, ajudante de
mudanças, aprendiz de metal laminado no Pentágono em 1942,
vigia de incêndios florestais em 1956, trabalhador na construção
civil (1941).
Queira
fazer um resumo da sua vida:
Tive uma bela infância, meu pai era tipógrafo em Lowell,
Mass., perambulei pelos campos e pelas margens dos rios
dia e noite, escrevi pequenas novelas no meu quarto, a primeira
aos onze anos, mantive também longos diários em "jornais"
que faziam a cobertura dos meus próprios mundos desportivos,
corridas de cavalo, jogos de baseball e futebol inventados
por mim mesmo (conforme esta registrado no romance Doctor
Sax). Recebi uma boa educação primaria dos irmãos jesuítas
na Escola Paroquial de São Jose, em Lowell, graças a qual,
mais tarde, pude pular o sexto ano numa escola publica;
quando criança viajei com a família para Montreal e Quebec;
Billy White, o prefeito de Lawrence (Mass.), me deu um cavalo
quando eu tinha onze anos, deixei toda a vizinhança dar
umas voltas; o cavalo fugiu.
Dei longas caminhadas noturnas sob as velhas arvores da
Nova Inglaterra, com minha mãe e minha tia. Ouvia atentamente
a tagarelice delas. Aos 17 anos decidi me tornar escritor,influenciado
por Sebastiana Campas, jovem poeta local que mais tarde
viria a morrer na praia de Anzio; li a vida de Jack London
aos 18 anos e também decidi me tornar um aventureiro,um
viajante solitário; Saroyan e Hemingway foram minhas primeiras
influencias literárias; mais tarde, Wolfe (depois de ter
quebrado a perna numa partida de rugby na Columbia,e perambulei
por sua Nova lorque de muletas). Influenciado também pelo
irmão mais velho Gerard Kerouac que morreu aos nove anos,
em 1926,quando eu tinha quatro anos,grande pintor e desenhista
na infância (ele era) - (segundo as freiras, também era
um santo) -(tudo isso será contado no romance Visions of
Code, que aparecerá em breve) - Meu pai foi um homem absolutamente
honesto e cheio de alegria; tornou-se ranzinza nos seus
últimos anos por causa de Roosevelt e da Segunda Grande
Guerra, morreu de câncer no baço - Mãe ainda vive, moro
com ela levando uma espécie de vida monástica que me permite
escrever tanto quanto tenho escrito. Mas também escrevo
quando estou na estrada, como vagabundo, ferroviário, exilado
mexicano, viajante pela Europa (conforme está narrado em
Viajante Solitário) - Uma irmã Carolina, atualmente
casada com Paul E. Blake Jr. de Henderson, N.C., técnico
antimísseis do governo - ela tem um filho, Paul Jr., meu
sobrinho, que me chama de tio Jack e me ama - Minha
mãe se chama Gabrielle, aprendi com ela a arte de contar
historias naturalmente, ouvindo suas longas narrativas sobre
Montreal e New Hampshire. Minha família vem de Breton, França,
o primeiro antepassado norte-americano é o barão Alexandre
Louis L. de Kerouac de Corwaal, Britania, 1750 mais ou menos,
recebeu terras ao longo do Riviere du Loup depois da vitória
de Wolfe sobre Montcalma; seus descendentes casaram-se com
índias (Mohawk e Caughnawaga) e tornaram-se plantadores de
batatas; o primeiro descendente americano foi meu avô Jean-Baptiste
Kerouac,carpinteiro, de Nashua, N.H. - A mãe do meu pai
era uma Bernier, parente do explorador Bernier - todos são
bretões por parte de meu pai - Minha mãe tem sobrenome normando,L'Evesque.
Primeiro
romance formal
foi The Town and the City, escrito na tradição de
trabalho longo e constante em revisão, de 1946 a 1948, três
anos, publicado pela Harcourt Brace em 1950. Então descobri
a prosa "espontânea" e escrevi, The Subterraneans
em três noites e On the Road em três semanas. Li
e estudei sozinho toda minha vida. Estabeleci o recorde
de ausência nas aulas da Columbia para ficar no meu quarto
escrevendo uma página diária e lendo, digamos, Louis Ferdinand
Céline, em vez dos "clássicos" do curso. Sempre tive minhas
próprias idéias. Sou conhecido como um "anjo maluco e vagabundo"
com uma cabeça desnuda e inesgotável repleta de "prosa".
Sou também poeta, Mexico City Blues(Grove, 1959).
Sempre considerei escrever meu dever na Terra. E também
pregar a bondade universal, que críticos histericos não
foram capazes de descobrir sob a frenética atividade das
minhas historias verídicas sobre a geração beat. - Na verdade,
não sou um beat, mas sim um estranho e solitário católico,
louco e místico...
Planos
finais:
solidão eremítica nas florestas, escrever tranqüilamente
na velhice, melosas esperanças de penetrar no Paraíso (como,
de resto, todo mundo)...queixa favorita com relação ao mundo
contemporâneo, o desprezo jocoso das pessoas "respeitáveis"...
que, por não levarem nada a serio, estão destruindo velhos
sentimentos humanos, mais antigos do que o Time Magazine.
Dave Garroways rindo-se de pombas brancas...
Jack
Kerouac morreu em 21 de outubro de 1969 de hemorragia estomacal
provocada pelo consumo excessivo de álcool. Morava com sua
mãe e sua mulher Stella, que, como uma enfermeira zelosa,
administrava seu consumo de álcool e afastava as "más" companhias.
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