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No
início dos anos 50, os poetas boêmios e intelectuais rebeldes
da costa Oeste dos E.U.A.estavam indignados com o silêncio
oficial da nação com relação a suas obras e com a inexistência
de um canal que divulgasse seu trabalho inovador. Em maio
de 1953, ao retornar da Europa, onde estivera estudando
pintura, o ítalo-americano Lawrence Ferlinghetti (então
com 24 anos)decidiu abrir uma pequena livraria com 80 metros
quadarados que servise como ponto de encontro e discussão
do novo movimento que explodia nos bares de Jazz e bairros
boêmios da cidade.
Para
isso, fulminou seu "pé-de-meia" e investiu 500
dólares em associação com o artista Shigeyoshi (shig) Murao
para abrir a City Lights Books - não por acaso localizada
ao lado do bar vesúvio, um reduto de poetas, escritores
e doidos em geral. Dois anos mais tarde, em julho de 1955,
Ferlinghetti e seu sócio perceberam que era hora de criar
uma editora e a City Lights, ao invés de apenas vender livros,
passou a publicá-los.O primeiro foi "Pictures of
a Gone World" do próprio Ferlinghetti.
De
início, a nova editora encontrou alguns problemas: em primeiro
lugar foi bastante mal vista pelas editoras tradicionais
que lançavam apenas livros de capa dura (enquanto que a
City Lights tornou-se a primeira casa a publicar em paperback
e em papel jornal na costas Oeste) e chegou a ser denunciada
(jamais se soube por quem) para o Comité de Investigação
de Atividades Anti-Americanas.A fama mundial da City Lights
começou justamente por causa de um destes problemas:a polícia
prendeu Shig Murao por vender cópias de "Howl"
de Ginsberg ( no Brasil, "Uivo", LP&M EDitores,
1984), livro que foi levado a julgamento por ser considerado
com "obra obscena". Depois da vitória judicial,
Uivo vendeu 360 mil exemplares, consagrando (além,
claro, de Ginsberg) o próprio Ferlinghetti, reconhecido
então como um audaz editor de vanguarda. A City Lights então
não parou mais de crescer:
"- Na verdade, desde que abrimos as portas, não conseguimos
mais fechá-las", - relembra Ferlinghetti."
Naquele
tempo North Beach não era o centro da cabarés com shows
de toplessnem de casa de massagens que é hoje. Havia lugares
incríveis como o jazz Workshop, o Hungry i, Coexistence
Bagel Shop e o café The Scene. Decidimos então ficar abertos
diaramente até meia-noite. E o fazemos até hoje, sete dias
por semana."
Mas
às vezes voltavam os problemas:o livro Love Poems
de Lenore Kandel e a revista em quadrinhos Zap Comics
foram também processados por obscenidade, no final dos anos
60 e início dos 70, respetivamente. Graças à lei que resguarda
a liberdade de informação nos EUA, Ferlinghetti conseguiu
obter documentos secretos do FBI nos quais o ultra-reacionário
senador J.Edgar Roover lhe acusa, e também a Ginsberg e
a Jane Fonda, de "desequilíbrio mental", cujas
atividades levavam "ao enfraquecimento moral da nação".
Em
1975, porém, em reconhecimento por seu trabalho inovador,
a prefeitura de San Francisco decidiu criar no calendário
cultural da cidade um dia de homenagem ao poeta, o Lawrence
ferlinghetti Day. Ele,quer mais:"Sonho dirigir
uma editora repleta com a poesia dos grandes poetas e rebeldes
do mundo inteiro, em edições de bolso simples e baratas
e, acima de tudo, continuar publicandom os impublicáveis."
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