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Enviado
por Márcio X. Simões
Bules,
Bílis e Bolas
Nós
convidamos todos a se entregarem à dissolução
e ao desregramento. A Vida não pode sucumbir no torniquete
da Consciência. A Vida explode sempre no mais além.
Abaixo as Faculdades e que triunfem os maconheiros. É
preciso não ter medo de deixar irrromper a nossa
Alma Fecal. Metodistas, psicólogos, advogados, engenheiros,
estudantes, patrões, operários, químicos,
cientistas, contra vós deve estar o espírito
da juventude. Abaixo a Segurança Pública,
quem precisa disso? Somos deliciosamente desorganizados
e usualmente nos associamos com a Liberdade.
Boletim do Mundo Mágico
Meus
pés sonham suspensos no Abismo
minhas cicatrizes se rasgam na pança cristalina
eu não tenho senão dois olhos vidrados e sou
um órfão
havia um fluxo de flores doentes nos subúrbios
eu queria plantar um taco de snooker numa estrela fixa
na porta do bar eu estou confuso como sempre mas as galerias
do meu crânio não odeiam mais a batucada dos
ossos
colégios e carros fúnebres estão desertos
pelas calçadas crescem longos delírios
punhados de esqueletos são atirados no lixo
eu penso nos escorpiões de ouro e estou contente
os luminosos cantam no telhados
eu posso abrir os olhos para lua aproveitar o medo das nuvens
mas o céu roxo é uma visão suprema
minha face empalidece com o álcool
eu sou uma solidão nua amarrada com o álcool
eu sou uma solidão nua amarrada a um poste
fios telefônicos cruzam-se no meu esôfago
nos pavimentos isolados meus amigos constróem um
manequim fugitivo
meus olhos cegam minha mente racha-se de encontro a uma
calota minha alma desconjuntada passa rodando.
Ardor
da Água
Papo
com Júlio Bressane & Jairo Ferreira no Cachação
Lésbicas discutindo semiótica
saídas de um filme de Bressane
saídas de um poema de Roberto Piva
o arco-íris toma jeito
estilo Farinata no Inferno
Karma da pesada & fuorilegge
caipirinha B52
noite de cobalto
espectro radioativo dos políticos dos Pampas
garras de Kamikase
Bacanal na sauna
garoto pendurado no Porta-Estandarte
menino loiro materializado na praça Roosevelt
Relendo os gregos
Chesburguer ditirâmbico de Arquiloco
Teógnis & seu boy Cirno arcangélicos
Sonata no Caos de Calcáreo
Marijuana nos soluços dos violões de Outono
fantasmas com línguas reais
Caramanchões de Maracujás para sempre
eu levanto o Selo da Morte
mestre das oferendas Verbo Mágico
mansão de milhões de anos
Osíris imperador da Eternidade
deusa Escorpião
quermesse mo Zodíaco
Rimbaud Diadorim Billly The Kid
Hesíodo seu dote ainda é a Terra & o mar
infecundo
primeiro deuses Titãs
ventre contra ventre & coxas contra coxas (Arquiloco)
... do lado paterno ilustres descendentes de peidomanos
(Arquiloco)
tambor tambor tambor
armaduras reviradas na batalha
o Mundo é uma ânsia
pássaros de seda na Enxurrada
minha canção é pura
minhas tripas são loucas
Fernando pessoa & o mar Egeu
flores na palma das madrugada.
Pornosamba
para Marquês de samba
esta
homenagem coincide com a deterioração da Batilha Sul-Americana
minada pela crise de corações & balagandãs econõmicos onde
se mata de tédio o poeta e de fome o camponês & sobre os
pés femininos se calça a bota de chumbo de várias cores
gamadas com Hitlers de plantão em cada esquina recoberta
de saúvas e amores escancarados como túmulos onde tuas coxas
Marquês, servem de amparo delicado ao garoto que chupa teu
pau enquanto uma mulher ruiva te cavalga Asssim, anotemos
o nome da vítima-orgasmo-blasfêmia antes que as araras entrem
na orgia com seus estimulantes bicos recurvos & um estratagema
de cipós afogue os sóis da desolação quotidiana em nível
de Paraíso A noite é nosssa Cidadão Marquês, com esporas
de gelatina pastéis de esperma & vinhos raros onde saberemos
localizar o tremor a sarabanda de cometas o suspiro da carne.
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