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de
O sol também se levanta
Editora Nova Cultural, 1987
Os homens,
no alto do muro, inclinaram-se ergueram a grade do corral.
Depois ergueram a porta da jaula. Curvei-me sobre o muro
e esforcei-me por enxergar lá dentro. Mas estava
tudo escuro. Alguém bateu na grade com uma barra
de ferro. No interior, algo pareceu explodir. O touro batia
na madeira, à direita e à esquerda, com seus
chifres, e fazia um grande ruído.Divisei então
um focinho negro, a sombra dos chifres e depois ouvi patadas
na madeira da caixa oca. O touro precipitou-se no corral
e parou, com as patas dianteiras deslizando na palha. Ergueu
a cabeça, a grande corcova de músculos do
pescoço inchada, retesada, a musculatura do corpo
fremente, enquanto olhava a multidão sobre os muros
de pedra. Os dois bois retrocederam e se encostaram à
parede, de cabeça baixa, vigiando o touro.
O touro os viu e arremeteu. Atrás de uma das caixas
um homem pôs-se a gritar e a bater com o chapéu
de encontro às tábuas. O touro, deixando os
bois, voltou-se e arremeteu para o ponto onde estava o homem,
tentando atingi-lo atrás das tábuas, com meia
dúzia de golpes rápidos e fustigantes com
o chifre direito.
- Meu Deus! Como é belo - exclamou Brett.
Estávamos bem acima dele.
- Vejam como sabe servir-se bem dos chifres - disse eu.
- Conhece a sua direita e a sua esquerda, como um jogador
de boxe.
- Pois não é?
- Olhe!
- Ele vai muito depressa.
- Espera. Vai chegar outro dentro de um minuto.
Haviam trazido outra jaula para a entrada. Numa extremidade,
por trás de um abrigo de tábuas, um homem
atraiu o touro; e, enquanto este olhava para o outro lado,
levantaram a grade e um segundo touro entrou no corral.
Fez uma arremetida direta contra os bois, e os dois homens,
saindo de trás das tábuas, gritaram, para
afastá-lo. O touro, contudo, não se desviou
e os homems gritavam: "Ha, ha, ha, toro", e agitavam
os braços. dois bois puseram-se de lado, para resistir
ao choque, e o touro investiu contra um deles.
- Não olhe - disse eu a Brett, que olhava, fascinada.
- Fabuloso! - exclamei. - Você não se impressiona
- Eu o vi - disse ela. -Vi-o mudar do chifre esquerdo para
o direito.
- Formidável!
O boi estava por terra, com o pescoço estendido,
a cabeça retorcida, da maneira como havia caído.
Súbitamentte, o touro deixou-o, para correr em direção
ao outro que permanecera ao fundo, balançando a cabeça,
olhando o que se passava. Correu, desajeitado, e o touro
o alcançou, feriu-o ligeiramente no flanco e olhou
a multidão, sobre os muros, erguendo a corcova de
músculos. O boi aproximou-se dele como se quisesse
empurrá-lo com o focinho e o touro investiu ao acaso.
Em seguida, empurrou o boi e ambos se dirigiram, trotando,
para o outro.
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