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A
Razão da maçã
Felicidade é clausura do hábito
que quando se agarra a descoberta
sentem-se masmorras os olhos do dia.
É porção-espaço da matéria
sem aviso prévio da dor,
a tornar uno a razão das trompas
e quase admitir um mundo abstracionista.
Habituar-se a felicidade
é pedal dos insensíveis.
É freqüentar estado de graça
a cada quarto de hora,
e dar de ombros
ao resumo da vida.
Fugir do destino humano
é competência de poucos momentos
pois ao valer-se um bramir de solidão
ou subida mais escarpada,
deixamos de ter pelos sentidos
e lamentamos um deus dormente, substantivo.
Felicidade é confiar no sofrimento
como matemática das coisas,
e admitir nos contrários
um encurtar aos motivos do mundo.
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