Marcelo Labruna K.

O telefonema

- 2:57: 46 horas da manhã...

Um longínquo vinha diretamente ao centro do universo desenhado de carvão. A poeira não acarretaria problemas ao decorrer das águas que pairam sobre a terra seca, que de tão úmida passa a ser linda, como o martírio existencial do imaginário. Um risco passa pelo distante impacto regional, uma nuvem circula em um globo arterial, e a hora seria enforcada para sempre. As luzes estão acesas, nem era preciso dormir. Quantas artérias estariam a caminhar em um belo parque amarelado à procura do instinto...passou...

Estava em outra via arrastando-se por um vestígio de uma sombra. A lua iluminando as águas do mar pareceu lembrar aquele momento. Agora sim teria ele motivo e razão para ir longe demais. Por isso, essa liberdade anda e andava lado a lado com o racional momento daquelas inoportunas e inconformadas compaixões, como as amargas florescentes e respectivas aberrações traçam um desenho, a se desfazer após anos de existência. Perdido agora em uma região da mata atlântica, talvez ali ou aqui. Por estar ali, nada tem de tão relacionado como ambiente puro e semilimpo, que graças a este demasiado florescer de embalagem estava ali, fazendo um mal imperceptível as cabeças preocupadas com os capítulos da brilhante tela noturna. E quais os mesmos olhos apagados e perdidos no que é inútil, o haviam jogado ali, em sua passagem pela trilha.

Acorde...Acorde... Uma voz o chamava de longe...

- 2:59: 59 horas indecifráveis.

O telefone toca às 3 horas da manhã, e agora estava esperando por alguém? Não com certeza, mas a porta está aberta, saia agora mesmo se preciso. Voltando ao telefone, ele passa e ao menos lembrava a fisionomia para lhe contar. A porta está aberta, mas a chave não existe para tal. As flores onde estão agora? Seria necessário comprá-las? Sim, ao menos isso. Ela o ama e isso já está escrito em portas de banheiros suburbanos, mas isso não importa. Agora saia, existe algo pegando fogo na próxima parada a direita, localize-se...Pegue uma anotação, não esqueça que todos os lados se dispõem a propor a você. A porta está aberta, não é mentira, e se o telefone tocou agora é para seguir em frente, atendendo ao céu e as estrelas, como ao sol e a lua. Os seus imaginários estão prestes a despertar, e não há flores ao menos para ela? Seria isso possível ocorrer às 3 horas da manhã? Sim, ocasionalmente isso acontece após intensificar um fronteiro e irradiante mar, perdido e adquirido. Por isso saia agora e leve com você uma história.

Nas ruas: luzes. Carros e pessoas. Silêncio e ruídos, silenciosamente caminhavam paralelamente em cada esquina. Ela estaria a sua espera ali com as flores. Não precisa mais comprá-las para sua imaginação, é só não criá-la mais, verás o caminhar intenso. Do nada, ou das absoluta e inacreditável solução parcialmente igual. O encontro é especial, agora está face a face com o que queria ver? O que há de novo? Isso não aconteceu antes de ir ao encontro, pois isto já esteve e estava ali a sua espera por mais de anos antes de sua descoberta por então, e ao menos acordaria para ver isso...atrasado encontra-se em uma razão sua e de difícil comprendimento coloquial, só isso. O telefone tocou; acorde, pois as flores circulam em minha cabeça, mas eu preciso lembrar como isso havia acontecido. Há de acontecer, olhando à janela inexistente da armação imaginária, cor de água: transparente. A porta está aberta, mas não é possível passar mais...Acorde...só isso que tende a lhe dizer: acorde para esta imagem desfocada e sem retorno ao antepassado. Pois enquanto pensas a imagem e a semelhança pode já passou.

O telefone tocou, mas ele estava mudo, a ponto de se escutar de longe. Imagine um telefone mudo tocando ao seu lado, e a procura insana de uma resposta para tal situação...não há explicação para ir ao encontro. Isso acontece isoladamente da vontade de criar a existência especial. A locomoção existencial, e o luar incandescente, as luzes concentradas, as mesmas que brilham em sua existência não perceptível, mas essencial, estão apagadas é só acender mesmo sem o raiar do sol.

As ruas estão inertes, passagens estão sempre se modificando para mais tardia e remota recordação. Muda a textura, muda os hábitos, mas ela está ali. Ao que tem de acontecer só será visto pelos olhos de diamantes ou de pérolas amareladas nas lentes abstratas.

Algumas partes paralelas se separam no ar úmido. Nem por isso espera-se tanto por uma avalanche de mentes atoladas em contra direção a este tempo psicológico, que criaste em posição oposta a de todos os lados do continente mental. Ao redor não é como se cria uma combinação unilateral, mas um atrito pode compor a mais bela canção já ouvida. Desde os ruídos até a harmonia passa a encontrar combinações, que muitas vezes se encontram, entrelaçando aos acordes pegajosos em tímpanos mais tradicionais. O mais longe deste infinito deserto em movimento, desde este acorde irreconhecível pela distorção, até a mais bela forma a ser descritiva pela descrição de cada lado perceptível.

As luzes se apagam e é hora de dormir de olhos bem abertos, pois o telefone tocará novamente às 3 horas da manhã, quando o relógio paralisar o seu custoso e direcional funcionamento...

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Email da autora: albavaleria@yahoo.com

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