Kambene

Um brinde a Maria Teresa

Estávamos no apartamento de Romeu, jogando conversa fora enquanto atacávamos uma garrafa de vinho, uma fineza que ambos desempenhávamos com sublime competência:
- Sabe - disse Romeu - aquela garota, a Maria Teresa...
- Sei.
- Bem, ela estava aqui ontem. Ficamos um bom tempo...
- Gostosa.
- É, mas não deu para comer ela, a vadia. Bebeu meu vinho e puta que o pariu, ela criou um escândalo...
Romeu acendeu um Lucky Strike e levantou as pernas e apoiou na cadeira à sua frente. Estávamos largados no sofá. Eu também joguei meus pés bem sobre o tabuleiro de xadrez que estava em cima da cadeira em frente, e um punhado de peças foi beijar o chão. Plic, Pac, Tum. E Romeu disse:
- Olha só o que aconteceu comigo e com a vadia - expeliu uma nuvem de fumaça azulada - ela veio aqui e ficamos naquele papo furado de sempre. Mas desta vez fiz marcação cerrada. Fiquei o tempo todo olhando para as pernas dela, encarando.
- Jogo limpo.
- Jogo limpo. E ela sacando tudo. Daí matamos a garrafa de vinho e abri outra...
Romeu se levantou e foi ao banheiro e deu uma mijada de porta aberta. Puxou a descarga. Saiu e continuou enquanto fechava o zíper das calças surradas:
- Virei o meu copo numa sentada e aí entrei no quarto, tirei as calças e as cuecas e a camiseta e amarrei uma toalha na cintura e saí. Eu disse “vou tomar um banho” e dei um beijinho bem na testa dela...
- Na testa? - observei.
- Quero dizer, uma lambida - Romeu deu uma tragada no cigarro. - Ela disse “tudo bem”, mas eu percebi que não estava tudo bem coisa nenhuma. Essa dona é uma vadia mesmo!
O telefone tocou. Romeu foi atender.
Emborquei o copo de vinho e me senti bem. Era o primeiro do dia e era significativo porque já eram 10 horas da noite e no geral eu começava a encher a lata às 10 horas da manhã. Todos os dias. Religiosamente. E naquele sábado eu tinha começado às 10 da noite e isso era uma boa notícia para o meu fígado. Tinha de acontecer algo diferente.
- Para você - disse Romeu. - É o Armando.
Atendi. Armando morava comigo no outro prédio de apartamentos.”E aí negão, manda...” eu disse.
- É o seguinte cara, onde é que você se meteu? Estou aqui com duas garotas e estamos tomando vinho e escutando um Zouk.
Armando era da África e era Disk Jockey especialista em Zouk. Bom gosto. Zouk é a música certa para o cara se esfregar nas garotas.
- E como é que elas são? Quer dizer, elas liberam e tudo? - perguntei.
- Elas não são frescas. - respondeu Armando. - Escuta, eu te procurei cara, tinha cinco mulheres aqui e eu na berlinda. Três já se mandaram...
- O que aumenta as nossas chances...
- Isso - concordou. - Escuta, sobe logo!
- Beleza - eu disse. - Em dez minutos.
- Vê se não demora, se não já era e elas são gostosas, bem gostosas mesmo e elas dão, tou sacando. Sobe logo.
- Pode crer.
- Você sabe, né Marco - disse Armando - nós somos os bambas da área.
- É isso aí, tou subindo.
Armando desligou. Ele gosta de falar que NÓS OS DOIS SOMOS OS BAMBAS DA ÁREA, OS MAIORES COMEDORES e nós nos divertimos com essa idéia. MAS FAZIA UM PUTA TEMPO QUE NÃO EU COMIA UMA GAROTA DECENTE! Pousei o fone no gancho.
- Carne nova no pedaço? - perguntou Romeu.
- Acho que sim - enchi outro copo de vinho - preciso me calibrar um pouco...
- Tenho umas doses fortes aí.
- Não, valeu, hoje vou pegar leve.Tenho me dado mal com as garotas por causa da bebedeira - biquei o vinho - Acho que ameaço elas.
- É. Você fica muito estúpido. Nem sei como é que você continua vivo - esse é o Romeu me analisando. - Você fica chato pra caralho, e agressivo, xinga todo o mundo de veado e passa a mão na bunda das meninas.
- Tenho gênio forte. Coisas dos espíritos. - Era sempre a mesma lengalenga. Eu e meus espíritos. - E então, vai comer ou não a Maria Teresa?
Romeu estendeu de novo os pés sobre a cadeira.
- Bem, aí fui tomar o tal banho rápido certo?
- Certo - acendi um cigarro e também voltei a apoiar os pés sobre o tabuleiro de xadrez. Peças caindo. Plec, plac, tum. Estávamos confortáveis, largadões no sofá.
- Entrei no chuveiro e fiquei lá por uns três minutos. Mexi no pau só pra deixar ele bem duro... - Romeu matou o copo de vinho e acendeu outro Lucky Strike - meu pau ficou duro que nem concreto. Me enxuguei rapidinho, amarrei a tolha na cintura e saí. Ela estava fumando.
- Porra, aquela mulher fuma pra caralho! - eu disse e dei uma baforada no cigarro
- É - continuou Romeu - saí do banheiro e ela estava fumando e meu pau bem reto debaixo da toalha. Cheguei perto dela, arranquei o cigarro dela, joguei no chão e fiquei parado na frente dela.
Romeu levantou-se e ficou parado em frente da cadeira onde estivera apoiando os pés:
- Fiquei parado assim ó, segurei a cabeça dela e fiquei brincado com aqueles cabelos dela...
- Cabelo bonito pra caralho!
- Cabelo de vadia, isso sim. Bem, daí soltei a toalha e meu pau pulou e estava lá, olhando pra ela. Puta meu, você devia ver aquilo! Ela tomou um susto. O bicho estava roxo, as veias saltando, duro que nem concreto. Daí eu disse: “Minha doce Maria Terezinha, me chupe, meu bem”.
- E ela? - o papo estava ficando excitante.
- Primeiro ficou perplexa, como quem não acredita no episódio e disse: “não brinca”. Mas eu não estava brincando. Ela disse: “Não. Não vou chupar você. Tira essa coisa de perto de mim” Eu já gritando: “CHUPA MEU PAU PORRA!”. Ela disse que não e o caralho a quatro e então eu dei um tapinha nela e falei: “você me fez perder tempo gatinha e eu só tou querendo que você chupe o meu pau e você vai chupar”
“Pode crer”, eu disse. O papo estava bem interessante.
- Então ela pegou o meu pau com as duas mãos e tentou quebrá-lo. PORRA, A VACA PEGOU O MEU PAU COM AS DUAS MÃOS E TENTOU QUEBRAR ELE EM DOIS, CARA.
- Que excitante tudo isso.
- Você acha excitante ela tentar quebrar meu pau em dois?
- Não, claro que não. Onde já se viu uma coisa dessas? Ela é uma vagabunda mesmo - apoiei. - E aí, o que é que você fez?
- Ela queria quebrar o meu pau em dois e então eu me abaixei e mordi o nariz dela - Romeu fez cara de Gracejo.
- Porra, meu, você mordeu o nariz dela?
- Hei, você queria que ela quebrasse meu pau?
- Claro que não! Aquela vadia...
- Então eu mordi o nariz dela. Quase arranquei aquela porcaria do nariz dela Mordi e torci e empurrei ela para trás.Ela caiu de nuca. você devia ver. Uma puta de uma vadia com o nariz sangrando. As pernas lá pro alto e aquela calcinha me olhando. Eu podia ter comido ela, mas eu não sou dessas coisas não.
- Mas ó meu chapa, se ela fosse dar queixa na Polícia você estava fodido. Obrigar uma garota a chupar pau é um estupro.
- Ah, meu, deixa disso - Romeu sentou-se e acendeu outro cigarro. - Aquela vadia?
- E daí, o que aconteceu?
- Ela lá caída de pernas para o alto e eu nu, meu pau frouxo e doendo pra burro, queimando. Levantei ela pelos cabelos e tasquei-lhe uma bela bolacha na cara. Daí peguei a toalha do chão e limpei aquela droga do nariz dela...
- Hum, Hum - pigarreei.
- Ela estava encurralada na parede, tadinha, sabe, ás vezes eu acho que exagerei, mas pó, também né, meu?...
Também o quê? pensei. Eu estava mesmo de cara limpa naquele dia.
- E sabe o que disse depois?
- Não.
- Ela disse: “eu te amo”. - Romeu afundou-se no sofá com cara de “pode uma coisa dessas?”.
- Ela disse “eu te amo?”
- É. Ela desabou e se ajoelhou como minha escrava e já tava chorando de verdade e dizendo que me amava e que queria que eu comesse ela naquela hora, com a aquela violência toda e tal. Papo de masoquista. Pode uma coisa dessas? - esse aí é o Romeu, bem agitado, bem animado, bem junky. - Depois dela ter tentado quebrar o meu pau?
- Tudo bem, Romeu, você ta aumentando, não?
- Que nada! Depois de ter tentado quebrar o meu pau ela disse que me amava e que queria dar a bunda pra mim ali mesmo, aqui, ó - apontou para a mesa onde estava o garrafão de vinho. Pulou do sofá e foi catar o garrafão. Encheu os nossos copos até as bordas.
- E então você, logicamente, traçou a fera...
- Que nada!
- E porque não?
- Podia ser fria.
- Como assim? Ela tava lá de quatro, pedindo! - sorvi um generoso gole. Romeu fez o mesmo:
- Pensei no pior. Depois dela ter tentado quebrar o meu pau...
- Hum e parece que isso te deixou traumatizado...
- Depois dela ter tentado quebrar o meu pau, eu não confio mais na vadia. Ela poderia ter ido para a Polícia e ia ter corpo delito e essas merdas todas e eu tava é fodido, pousando de estuprador.
- É isso aí - eu disse e ergui meu copo para um brinde - ela é uma vadia mesmo!
E brindamos satisfeitos com a conclusão. Nos últimos dois meses ambos havíamos tentado levar Maria Teresa para a cama e ela nos deu um baile e mais nada. A vadia!

Email do autor: kambene@hotmail.com

Fechar Janela